Uma Crítica: Transformers - A Vingança dos Derrotados

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Há algum tempo, o diretor Francis Ford Coppola deu algumas declarações questionando a finalidade de se produzir continuações de filmes, já que o elenco, o universo e a estória em si são mostrados no primeiro título sem que haja a necessidade de se trazer isso à tona novamente.

 

Até por causa do seu “O Poderoso Chefão”, não consigo concordar. As trilogias são SIM muito importantes para mostrar um personagem em situações locais e comportamentos diferentes ou simplesmente revisitá-los. Talvez uma forma de eternizá-los em seu mundo e/ou dimensionar a história em tamanhos épicos (Piratas do Caribe, por exemplo). 

 

Porém, assistindo o grotesco Transformers – A vingança dos Derrotados, consigo compreender bem o argumento de Coppola, já que um filme onde colocamos certos personagens em situações completamente iguais apenas mudando e/ou criando razões absurdas para se ter um conflito não tem a menor necessidade de existir.

 

Depois dos eventos do primeiro filme, Autobots e o Exercito Americano (!) se unem para acabar com qualquer foco de ataque de Decepticons no planeta, formando a divisão chamada NEST. Paralelo a isso, o jovem Sam (Shia LaBeouf) se prepara para ir à universidade quando descobre que um pedaço do cubo ficou preso em sua roupa (!), trazendo para o cérebro do menino as milenares informações e símbolos estranhos que apareceram durante várias eras pelo planeta. Por causa disso, o menino começa a ser perseguido novamente pelos Decepticons, que ressuscitam o terrível (eu disse, terrível??) Megatron. O robô alienígena agora aceita ordens de um senhor maior, chamado Fallen, que tem o objetivo de ativar uma máquina que, olha só isso, extingue o sol e absorve sua energia (!). E mais, o equipamento está dentro de uma das pirâmides de Gizé.

 

Trazendo um pouco menos de humor que o primeiro e colocando no lugar explosões e mais explosões (alias, acho que o filme se resume a bummmmmmmmmmmmmmmmm), Michael Bay mostra novamente que não é capaz de prender seu público pela história que conta, mas sim pela quantidade de cores, “coisinhas” se mexendo magicamente na tela, e estrondos de todos os tipos. Sua direção é precária, pois não consegue estabelecer em momento algum da trama uma verdadeira identificação com os personagens ou com qualquer outro elemento robótico (em certo momento, Sam dispensa a proteção de Bumblebee, apenas para vermos o robô chorar. Isso mesmo, robô chorar!!!)

 

Com um roteiro precário que nos mostra diversos pontos da trama de forma explícita (Em certa altura, Fallen solta o velho clichê do Vilão que entrega o plano pro mocinho quando este está em situação polêmica), os roteiristas Roberto Orci e Ehren Kruger não conseguem nem ao menos montar um argumento convincente para a existência de transformers na terra desde o começo dos tempos, já que ignora todos os princípios colocados no primeiro filme. Peca também em colocar novamente gag’s desnecessárias como a “mãe que anuncia que o filho não é mais virgem”, “a mulher da língua” e o pequeno robozinho que “transa” com a perna de Mikaela. Para dar mais graça, criam alguns personagens novos de carne e osso (o colega de quarto covarde e nerd de Sam) e de ferro (os robôs-irmãos que brigam mas se amam). 

 

Repetindo a boa atuação do primeiro filme, Shia consegue expor um Sam mais maduro, ciente das responsabilidades que tem. Em contrapartida, Megan Fox surge novamente inexpressiva, utilizando abundantemente da sensualidade e da boca semi aberta, praticamente insunuando um sexo oral com o espectador, o que a torna completamente desequilibrada em relação ao seu parceiro de cena.

 

A trilha sonora é praticamente nula, abafada pela alta quantidade de explosões, também características do primeiro filme.

 

Felizmente, Bay consegue consertar um grande problema que teve no primeiro filme. Com os efeitos especiais formidáveis, agora é possível ver realmente uma briga de robôs (no primeiro filme, víamos apenas flashes de quem estava brigando com quem), criando monstros realistas e explosões visualmente perfeitas.

 

Mas, como um filme não se sustenta (e nem deve) apenas com sua equipe de efeitos especiais, digamos que transformers é como uma bela mulher desconhecida que passa na sua frente: você admira, mas depois de 5 minutos a esquece....

 

Foi mais ou menos assim que me senti depois de sair do cinema... 

 

Obs: Michael Bay continua com seu marketing pessoal, introduzindo agora um pôster de Bad Boys 2 em um das cenas. Lastimável.

 

 

Uma Crítica: O Curioso Caso de Benjamin Button

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Uma senhora defenestra suas memórias em relação a um amor do passado, com quem viveu um tórrido e passageiro romance que culmina na separação inevitável.

 

Não. A mulher não se chama Rose e não estamos a bordo de um navio que se choca com um Iceberg. Estamos falando do novíssimo queridinho da academia “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

 

Curioso mesmo é saber o porquê de tantas referências ao grandioso Titanic de James Cameron. Apesar de um argumento ótimo, o roteirista Eric Roth não consegue sustentar sua história sem colocar em algum momento da narrativa algo que nos leve para a produção de 1995.

 

Nascido no dia em que é assinado o fim da primeira guerra mundial, Benjamin (Pitt) é uma criança fadada a ser um monstro. O menino nasce com a aparência e sintomas de um velho em estado terminal de vida. Levado pelo pai para ser criado por uma jovem em um asilo de velhinhos, ele cresce como se fosse um deles, mesmo com a mente de uma criança de sete anos. Essa idade é quando ele conhece a jovem Daisy (Blanchet) com quem descobre o amor e a incapacidade de ter um relacionamento nas suas condições. Com o tempo, Benjamin rejuvenesce e a moça se torna uma bela mulher, até que, em idades aparentemente compatíveis, os dois se entregam a paixão.

 

Essa pequena sinopse infelizmente esconde falhas difíceis do roteiro. Aliás, arrisco dizer que Cate Blanchet não é ruiva por acaso, existe uma ligação forte com a Rose vivida por Kate Winslet (até as atrizes se chamam Kate...). Tanto na personalidade de mulher decidida quanto na forma com que se relaciona com seu par.

 

O roteirista ainda coloca uma pérola imperdoável quando a filha de Daisy se impressiona com as fotos da mãe dançarina dizendo que não sabia dessa parte da vida de sua mãe, sendo que no fim do segundo ato a versão jovem da menina se encontra com a mãe em sua própria escola de dança.

 

O diretor David Fincher, por sua vez, não foi tão mal. Fora do ambiente em que alcançou o status de grande diretor com seus inteligentes filmes Se7en, Clube da Luta e Zodíaco, faz um bom trabalho levando o precário roteiro ao status de bom filme. Mas acho que o mesmo também viu as intenções em plagiar o filme de Cameron e acabou levando três pequenas cenas que nos remetem a ele: Quando mostra um grande navio na diagonal muito parecido com o próprio Titanic, quando faz um pequeno plano debaixo d’água com alguns corpos flutuando e quando mostra uma sala sendo invadida pela água. A narração intercalada da filha de Daisy com a de Benjamin também foi uma ótima idéia, mas que se repetiu demais.

 

Cate e Pitt possuem uma ótima química, transformando seus difíceis personagens em pessoas extremamente próximas a realidade. Dando vozes e olhares diferentes a cada fase da vida.

 

Os efeitos são bem eficazes e deram uma beleza o filme que dificilmente encontraríamos numa maquiagem tradicional. Ver Pitt como um velho de pernas atrofiadas, cabelos grisalhos e manchas de velhice pela cabeça é uma das grandes sacadas da película. atrofiadas, cabelos grisaklhos e manchas de velhice pela cabeça  ele tambem.lube da Luta e Zod

 

A belíssima fotografia amarelada é outro fator que nos leva ao navio gigante. Mas neste caso funcionou maravilhosamente, realçando rugas e deixando a fantástica maquiagem à tona mostrando e pontuando cada fase da vida dos dois personagens para o espectador.

 

Benjamin Button está longe de ser um filme de ponta e longe de merecer tirar a vaga do Oscar de filmes como Batman e Wall-E. A política venceu novamente na academia, então é bem provável que ele leve umas estatuetas.

 

 

 

Fim de Ano, hora de limpar a minha lista de filmes do Orkut e compilar uma nova.

A primeira é o ranking dos melhores filmes conferidos no CINEMA:

1 Batman - O Cavaleiro das Trevas (*)(*)(*)(*)(*)
2 Ensaio Sobre a Cegueira (*)(*)(*)(*)(*)
3 Wall-E (*)(*)(*)(*)(*)
4 Onde Os Fracos Não Têm Vez (*)(*)(*)(*)(*)
5 Marley & Eu (*)(*)(*)(*)(*)
6 Queime Depois de Ler (*)(*)(*)(*)(*)
7 Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (*)(*)(*)(*)(*)
8 Juno (*)(*)(*)(*)(*)
9 Não Estou Lá (*)(*)(*)(*)(*)
10 Homem de Ferro (*)(*)(*)(*)
11 Última parada 174 (*)(*)(*)(*)
12 Horton e o Mundo dos Quem (*)(*)(*)(*)
13 Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (*)(*)(*)(*)
14 Speed Racer (*)(*)(*)(*)
15 007 - Quantum of Solace (*)(*)(*)
16 Hancock (*)(*)(*)
17 As Crônicas de Nárnia - Príncipe Cáspian (*)(*)(*)
18 Entre Lençóis (*)(*)(*)
19 Quebrando a Banca (*)(*)(*)
20 No Vale das Sombras (*)(*)(*)
21 Madagascar 2 (*)(*)(*)
22 Vestida para casar (*)(*)
23 O Olho do Mal (*)(*)
24 Kung-fu Panda (*)(*)
25 A Múmia - A Tumba do Imperador Dragão (*)(*)
26 A Casa das Coelhinhas (*)(*)
27 Imagens do Além (*)

 


E seguem todos os 83 filmes assistidos esse ano (menos que ano passado, uma tragédia...):

007 - Quantum of Solace (*)(*)(*)
A Casa das Coelhinhas (*)(*)
A Herança de Mr. Deeds (*)(*)
A Múmia - A Tumba do Imperador Dragão (*)(*)
A Supremacia Bourne (*)(*)(*)(*)(*)
A Vida é Um Sopro (*)(*)(*)(*)(*)
A Volta do Todo Poderoso (*)(*)(*)
As Crônicas de Nárnia - Príncipe Cáspian (*)(*)(*)
Asterix e a Grande Luta (*)(*)(*)
Asterix e Obelix: Missão Cleópatra (*)(*)(*)(*)
Babel (*)(*)(*)(*)(*)
Batman - O Cavaleiro das Trevas (*)(*)(*)(*)(*)
Boa Noite e Boa Sorte (*)(*)(*)(*)(*)
Cães de Aluguel (*)(*)(*)(*)(*)
Casablanca (*)(*)(*)(*)(*)
Coração Valente (*)(*)(*)(*)(*)
Demolidor - Um Homem sem Medo (*)(*)(*)
Dogville (*)(*)(*)(*)(*)
Dragão - A História de Bruce Lee (*)(*)(*)
Dumbo (*)(*)(*)(*)(*)
Ensaio Sobre a Cegueira (*)(*)(*)(*)(*)
Entre Lençóis (*)(*)(*)
Equilibrium (*)(*)(*)
Escola de Rock (*)(*)(*)(*)
Eu, Robô (*)(*)(*)(*)
Fahrenhelt 11/9 (*)(*)(*)(*)(*)
Forrest Gump - o Contador de Histórias (*)(*)(*)(*)(*)
Garfield (*)(*)(*)
Hancock (*)(*)(*)
Hannibal (*)(*)(*)(*)
Hércules (*)(*)(*)(*)
Homem Aranha (*)(*)(*)(*)(*)
Homem de Ferro (*)(*)(*)(*)
Homem-Aranha 3 (*)(*)(*)
Horton e o Mundo dos Quem (*)(*)(*)(*)
Hulk (*)(*)(*)(*)
Imagens do Além (*)
Indiana Jones e a Ultima Cruzada (*)(*)(*)(*)(*)
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (*)(*)(*)(*)
Juno (*)(*)(*)(*)(*)
Karate Kid - A Hora da Verdade (*)(*)(*)(*)(*)
Kung-fu Panda (*)(*)
Lisbela e o Prisioneiro (*)(*)(*)(*)(*)
Madagascar 2 (*)(*)(*)
Marley & Eu (*)(*)(*)(*)(*)
Matadores de Aluguel (*)(*)(*)(*)
Matrix Reloaded (*)(*)(*)
Não Estou Lá (*)(*)(*)(*)(*)
No Vale das Sombras (*)(*)(*)
O Grande Truque (*)(*)(*)(*)(*)
O Homem que Copiava (*)(*)(*)(*)(*)
O Iluminado (*)(*)(*)(*)(*)
O Magnata (*)(*)(*)
O Olho do Mal (*)(*)
O Poderoso Chefão - Parte 2 (*)(*)(*)(*)(*)
O Poderoso Chefão (*)(*)(*)(*)(*)
O Sexto Sentido (*)(*)(*)
Onde Os Fracos Não Têm Vez (*)(*)(*)(*)(*)
Os Caça-Fantasmas II (*)(*)(*)(*)(*)
Os Incríveis (*)(*)(*)(*)(*)
Os Indomáveis (*)(*)(*)(*)(*)
Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra (*)(*)(*)(*)(*)
Piratas do Caribe - No Fim do Mundo (*)(*)(*)(*)(*)
Piratas do Caribe - O Baú da Morte (*)(*)(*)(*)(*)
Quebrando a Banca (*)(*)(*)
Queime Depois de Ler (*)(*)(*)(*)(*)
Rain Man (*)(*)(*)(*)(*)
Redentor (*)(*)(*)
Robin Hood (*)(*)(*)
Rocky - Um Lutador (*)(*)(*)(*)(*)
Seus Problemas Acabaram (*)(*)
Sociedade dos Poetas Mortos (*)(*)(*)(*)(*)
Speed Racer (*)(*)(*)(*)
Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (*)(*)(*)(*)(*)
Touro Indomável (*)(*)(*)(*)(*)
Turma da Mônica - Uma Aventura no Tempo (*)(*)(*)
Última parada 174 (*)(*)(*)(*)
Um Bom Ano (*)(*)(*)(*)
Um Maluco no Golf (*)(*)
Uma Mente Brilhante (*)(*)(*)(*)(*)
Uma Verdade Inconveniente (*)(*)(*)(*)(*)
Vestida para casar (*)(*)
Wall-E (*)(*)(*)(*)(*)
X-Men 2 (*)(*)(*)(*)(*)

O primeiro foi A Vingança de Mr. Deeds. Fechei o ano com Hulk. No cinema, Onde os Fracos Não tem vez abriu e fechou com Marley & Eu.

Um Bom 2009 a todos.

Uma Crítica: Última Parada 174

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Depois de vários filmes-tragédia rodados nas favelas brasileiras, parece que a coisa começa a dar sinais de desgaste. Mesmo sendo produções onde as competentes direções de arte se revelam magistrais a cada lançamento, as histórias começam a ficar sem a mesma atração.

 

174 desce o morro mas não sai desse dilema. Trazendo os protagonistas mais pra perto da civilização “normal”, o filme ganha ares um pouco diferentes. Porém, vários outros elementos nos colocaram dentro da diegése tão conhecida.

 

O filme conta a história de Sandro (ou Ale). Garoto que, depois de perder a mãe e fugir da casa da tia, vai para as ruas da candelária no Rio. Sobrevivente da famosa chacina que aconteceu no local, o menino se vê ajudado por um grupo de voluntários e acaba conhecendo Marisa, mulher que acredita que ele seja seu filho. Paralelamente a isso, somos apresentados a ao verdadeiro Alessandro, filho da mulher. Criado por um traficante que o tirou recém nascido do colo da mãe, ele vira um criminoso sem escrúpulos que não vê problema em apertar o gatilho mesmo quando o alvo é inegavelmente indefeso. Depois dos dois garotos se encontrarem no centro de reabilitação de menores infratores, viram parceiros e começam a cometer vários furtos. Algumas brigas após, Sandro é expulso do barraco de seu amigo e vai procurar o auxilio de Marisa com quem consegue uma relação afetuosa de mãe e filho. Uma série de decepções, erros e lembranças passadas o levam a pegar o ônibus 174. O resto já sabemos.

 

Saindo da convencional fotografia amarelada muito comum em Cidade de Deus e Cidade dos Homens, a película aposta em cores frias para mostrar a solidão de cada personagem. Seja da mãe ou dos meninos. Os barracos claustrofóbicos e sujos são impressionantes. É importante também ressaltar o lar de Marisa que, mesmo mostrando que se trata de uma pessoa claramente humilde, consegue um toque de suavidade na arrumação do local. O que traz um contraste com o barraco de Alessandro: sujo e desarrumado.

 

O roteiro de Bráulio Mantovani, como sempre, é forte em seus diálogos, trazendo um impressionante realismo no uso das gírias e dos trejeitos dos personagens. Porém, perde pontos em denunciar, gratuitamente, uma prática de extorsão de dinheiro da igreja evangélica. Simplesmente não havia motivo para tal. Ressaltando também alguns momentos de exposição, como a insistência em mostrar quem é o verdadeiro filho de Marisa (sabemos isso desde o começo, mas por algum motivo ele acha que ainda não é o suficiente).

 

Infelizmente, o competente roteirista, também esquece um fato importante: a vítima. Trazendo o filme apenas para o foco de Sandro, tirou completamente a chance de sabermos da menina que, tragicamente morreu naquele dia. A menina fica menos de 30 segundos em cena, aparecendo morta e sem atenção, mostrando rapidamente.

 

O que tira pontos da direção de Bruno Barreto. Que, mesmo com o claro foco no seqüestrador, o diretor não faz um esforço para que a vítima ganhe um pouco mais de valor.

 

Os atores fazem um trabalho esplêndido. Resultado de um treinamento que foi extremamente eficaz em outras produções e que não cansa de nos apresentar a vários talentos. Michel de Souza traz um Sandro que, mesmo como um homem, traz um olhar infantil, que torna o personagem mais vulnerável. O Alessandro de Marcelo Junior, por sua vez, é destemido e sempre traz uma sensação de “algo irá acontecer” quando está em cena. A Marisa (Chris Viana) já não consegue o mesmo desempenho dos outros garotos, limitando-se a olhares maternos de expressividade conhecida.

 

Mesmo com o ótimo trabalho técnico, Última Parada 174 não convence o espectador sobre a usa importância. Acerta em não fazer do seqüestrador um herói, mas erra em não mostrar o que aconteceu realmente naquele trágico dia.

 

Obs: A referência ao documentário de José Padilha fica mais clara ao vermos um velho conhecido: O capitão do BOPE André Ramiro (Aqui chamado de Santos). Em uma espécie de Homenagem ao diretor que teve a coragem de mostrar, pela primeira vez, a vida de Sandro antes do seqüestro. Infelizmente a mesma nos remete para fora do filme e torna a homenagem dispensável também.

 

Uma Crítica: A Casa das Coelhinhas

Classificação:

Quando vi o pôster, por algum motivo passou pela minha cabeça que o filme me surpreenderia. Não sei o que me fez pensar isso. Talvez algum efeito subliminar. Enfim, entrei na sala do cinema e esperei para ver o que acontecia.

 

Não precisou de muito tempo pra tirar uma conclusão óbvia: tratava-se de mais uma comédia sem graça e sem razão para existir, fruto da imbecilidade hollywoodiana.

 

O filme conta a história de Shelley Dalton, uma coelhinha da playboy que é expulsa da mansão de “Huf” (Hugh Hufner, o dono da revista) depois que completa 27 anos (ou 59 anos de coelhinho). Sem lugar para ficar, ela acaba parando em uma zona universitária onde existem várias repúblicas de estudantes, uma delas é a ZETA, onde a moça torna-se diretora da organização e muda a vida das meninas “nerds” e feias que ali residiam.

 

Não há muito o que escrever. Com um fraquíssimo roteiro escrito por Karen McCullah Lutz cheio de gags sem graça, e clichês do gênero “a pessoa que vai mudar tudo em nossas vidas”, a história caminha sempre previsível. Sabemos que ela vai ser expulsa da mansão, não será aceita na universidade, as mocinhas feias vão ficar gostosas, as mocinhas da outra republica vão se revoltar com as novas gostosas... etc, etc, etc... O pior é que talvez saibamos tudo isso só assistir os primeiros 15 minutos de projeção. Seria mais simples se apenas o ligássemos a  Mudança de Hábito, Escola de Rock ou então Um tira no jardim de Infância (precisa de mais exemplos????).

 

Com uma trilha sonora recheadas de músicas jovens, parece que estamos assistindo um DVD do High School Musical para adolescentes com hormônios à flor da pele. Sem inovar nas músicas, obviamente as coreografias seguiram a mesma linha.

 

Infelizmente, o Carisma da protagonista Anna Farris não é suficiente para tornar o filme sequer apreciável. Os outros personagens estereotipados colocados à sua volta trazem uma artificialidade absurda: A “menina de lata” é colocada apenas para “homenagear” ou “destruir” uma cena do filme Forest Gump. A forte “mulher-viking” aparece apenas para fazer uma fala escatológica e sem razão alguma, a “Anãzinha” que está lá apenaspor que julgaram que seria engraçada uma anã, uma outra grávida que aparece apenas para dar o penúltimo suspiro de esperança no final do filme, uma tímida que fica escondida todo tempo e faz uma pequena ponta na virada do 3º ato, uma “revolucionária” que não aceita a loira na entidade e uma ruiva motivadora das outras integrantes e que se diz virgem apenas para se ter uma razão em fazer uma festa “Asteca”.

 

A direção de Fred Wolf pouco pode fazer para consertar o roteiro de McCullah. E o pouco que tinha de ser feito não foi. Acabou levando o filme de forma mecânica. Parece ter consultado um manual de “como fazer uma comédia hollywoodiana” e deixou as coisas apenas acontecerem.

 

Resumidamente, a casa das coelhinhas é mais um filme em que a publicidade se faz mais criativa e inovadora do que o produto final. Se continuar assim, os estúdios vão começar a responder na justiça por propaganda enganosa. Talvez seja bom. Ou isso fará eles apresentarem filmes melhores, ou então a publicidade vai se igualar na mediocridade.

 

Infelizmente, a última opção é a mais provável.

Um comentário: Róquenrollllll

Prezados. Estou começando (aliás, já comecei faz um tempo.... hehe) o projeto de um filme. É muito pessoal, mas enfim, o primeiro passo tinha que ser dado.

Quem quiser acompanhar o andamento dele, acesse http://roteirododico.blogspot.com/

Continuarei com os trabalhos aqui. Então não fiquem chateados.... hehe

 

 

Uma Crítica: Ensaio Sobre a Cegueira

 

Classificação:

Quem leu essa obra de José Saramago sabe que dificilmente seria possível uma adaptação ao cinema. Criaria um contraste entre a idéia de imaginar a cegueira e vê-la (o que fugiria dos princípios do romance). Por isso, durante muito tempo, o escritor português repudiou a idéia de ter sua obra prima adaptada para a tela grande. Como “ver” uma história em que a idéia é nos sentirmos como completos cegos?

 

Fernando Meirelles, diretor conhecido pelas suas bem sucedidas adaptações literárias, acabou ganhando a oportunidade de fazer o filme e, estranhamente, com todo aval de seu criador. Talvez pelos ótimos trabalhos anteriores ou então pelo fato de ser um brasileiro. Enfim, mais uma vez, a genialidade do diretor tupiniquim deu soluções ao que praticamente seria impossível. Transformando o premiado Best-seller em uma película rica em significado e imaginação.

 

Num congestionado cruzamento, um homem para o carro subitamente. Depois de protestos de alguns motoristas impacientes, ele é finalmente ouvido: está cego. Depois de analisar esse primeiro caso, o médico e todos os outros que estão próximos ficam infectados. Apenas a Mulher do oftalmologista (Julianne Moore) consegue enxergar. Trancafiados em um manicômio, aos poucos os problemas vitais do ser humano vão aparecendo. A higiene é precária, o convívio torna-se insuportável, os alimentos faltam e as guerras entre os pavilhões eram inevitáveis. Tudo isso sem saber que, depois da porta vigiada pelo exército já existia um mundo tomado pela “treva branca”.

 

Meirelles foi sábio em fazer sua câmera contar a história. As várias tomadas fora de foco e a belíssima fotografia quase preto-e-branco nos dão uma sensação claustrofóbica indispensável para o excelente resultado final. Estamos dentro daquela cegueira.

 

A partir daí, freneticamente somos impulsionados para dentro do manicômio, onde o visual sujo e abandonado dá o tom. Mesmo quando estão apenas os dois protagonistas, vemos um lugar sombrio, sem vida. Quando chegam as outras centenas de cegos, o local torna-se uma prisão tão realista quanto à vista em Carandiru (a única coisa que presta no filme de Babenco é essa sua direção de arte competente, diga-se). As roupas estendidas nos varais improvisados, as defecações no chão. Condições sobre-humanas mostradas com clareza. Quando somos apresentados ao mundo apocalíptico (São Paulo, uma cidade fantasma) nada deixa a dever. Ruas sujas, pessoas sem rumo, lixos, corpos, RATOS e destruição.

 

O Roteiro de Dan Michellar é extremamente competente no que diz respeito à fidelização do trabalho original. Dando soluções ao que seria inimaginável para um formato visual e criando ótimas pontas para nos identificarmos com alguns personagens (é o caso do Rei da Ala três, que sutilmente é mostrado como um barman no começo da projeção).

 

Com uma trilha sonora melancólica (reconhecemos até alguns momentos da música Céu de Santo amaro, de Flavio Venturini) e de acordes suaves, contrasta com a direção de arte pesada. Trazendo conforto mesmo quando somos tomados pelas fortes cenas de estupro ou então em alguma rebelião.

 

O forte elenco, comandado pela fantástica Julianne Moore, é maravilhosamente eficaz. Mark Rufallo faz um médico que, mesmo sendo o centro da razão e da organização de sua ala, ainda possui fraquezas de uma criança. Alice Braga, infelizmente com pouco espaço na trama, faz uma prostituta séria e que vê esperança em não ter que esconder suas particularidades, foi muito bem aproveitada nesse aspecto. Danny Glover, já não possui essa mesma sorte. Mesmo sendo um personagem tão interessante no texto de Saramago, o homem da venda preta acaba ficando de lado nessa adaptação. Faz uma fraca aparição como um narrador da vida fora do hospício e alguns momentos descartáveis durante todo o resto. Um pecado se tratando de um ator de grande porte como ele.

 

As atenções ficam mesmo por parte da protagonista.  Moore sabe o peso da responsabilidade de se fazer a única mulher que realmente pode mudar as coisas. O texto bem escrito a coloca em diversas situações onde a sua expressividade torna-se mais essencial do que a fala propriamente dita (um exemplo bem claro está na hora em que ela vê seu marido transando com a prostituta, uma mistura de indignação com aceitação).

 

Ensaio Sobre a Cegueira é uma obra que nos faz “enxergar”, de forma impactante, a sociedade fútil em que vivemos. Reféns do consumismo exacerbado e de uma falsa noção de liberdade. O homem serve aos seus olhos, e nada mais.

 

 

 

 

Um Trailer: Ensaio Sobre a Cegueira

Filme de Fernando Meirelles, que dividiu a imprensa em Cannes:  

Sexta ele estará entre nós, pobres mortais cinéfilos.

Uma Crítica : Kung-fu Panda

Classificação:


 



 


A Dreamworks, estúdio de Shrek e Madagascar, vinha ganhando muita qualidade em suas produções. O ogro verde chegou a arrancar um Oscar das mãos da Pixar e ganhou até uma franquia própria. Mas parece que as idéias estão se esgotando. As histórias já não são inovadoras, os personagens estão estereotipados, influiu até na trilha sonora.

 

É uma pena que, Kung-fu Panda, mesmo com os esforços para sair do dilema da DW, não é realmente efetivo. Com menos referências a outros filmes (algumas a Matrix, o que já soa bem cansativo depois milhões de produções que a fazem), a premissa cai em outra moda da Mídia infantil, o Kung-fu (só pra ter uma idéia, temos na TV, Jake Long, Yin Yang Yo, Jackie Chan, gambá Kung-Fu, Pucca... Isso tudo só esse ano).


Pô é um urso Panda que trabalha com seu pai em um restaurante fazendo macarrão. Vive sonhando em ser um grande lutador ao lado dos cinco grandes guerreiros da aldeia. Depois que o terrível Tai Lung foge da prisão, o mestre tartaruga Oogway escolhe o Panda como o grande dragão guerreiro e a partir daí, o mestre shifu precisa treiná-lo para ser um mestre kung-fu antes que o poderoso inimigo chegue para confrontá-lo.


Simples e bobinha. Essa é a premissa de Kung-fu Panda. E parece que o desenvolvimento do filme segue a mesma regra. Criando poucos momentos realmente eletrizantes, o filme se torna apenas uma grande piada sobre pandas gordinhos. Engraçado, mas nada que nos faça morrer de rir.


O filme Começa com uma ótima entrada em 2D, onde vemos uma belíssima paleta de cores fortes. Logo quando somos apresentados a realidade do filme, vemos personagens muito bem executados e cartunescos, como deveriam ser. Destaque especial para o visual dos cinco guerreiros, que beiram o realismo em alguns traços.


A direção de arte é fabulosa, o grande palácio onde se encontra o pergaminho do dragão é muito bem executado, as cores frias se contrastam com o céu amarelado e o vermelho predominante dos enfeites externos. À noite, vemos um belo pessegueiro com flores de cores vivas, mostrando os raios de esperança e purificação em que a cenas naquele local se baseiam.


Porém, mesmo com essa belíssima cenografia, o filme cai em não ter uma história que envolva essa cultura de maneira eficiente. O treinamento de Pô (que deveria ser um ponto de foco da narrativa) é mostrado em apenas 10 minutos de projeção, deixando o espectador em dúvida se realmente o Panda está pronto para a batalha. Para consertar o mal entendido, os roteiristas colocam o velho clichê “acredite em você”, que rapidamente faz o panda se tornar o mais bravo guerreiro da aldeia.


Trazendo uma trilha sonora obvia, mas eficaz, enchendo de temas orientais e acordes engraçadinhos, é justo que esta também não seja um destaque no longa. Porém a versão de Jack Black para a música “Kung-Fu fighting” contrastou muito bem com o ambiente do filme.


Em um ano que fomos apresentados a obra prima da concorrente Pixar, é triste ver uma resposta tão fraca da Dreamworks. Wall-E demonstra, assim como Ratatouille no ano passado, que não terá concorrentes no Oscar. Ao menos que Pô faça o poder do dedo mindinho no robozinho, o que não vai acontecer...


Obs: Lucio Mauro Filho é um veterano nessa parte de dublagem, fez várias campanhas e acabou executando um bom trabalho com o protagonista, apesar do timbre não combinar em nada com o Urso. Juliana Paes, bom, até agora não sei a razão de escolherem ela, mas enfim...

Uma Crítica: Batman - O Cavaleiro das Trevas

 


Classificação:



Em 2005, a Warner renovou a franquia do homem-Morcego trazendo um filme que, na medida do possível, mostra um lado mais humano e mais real do milionário Bruce Wayne. A Gotham de Christofer Nolan soava como um espelho para qualquer grande metrópole da realidade, inclusive São Paulo e Rio de Janeiro. A forma como ele trabalhou a personalidade de Bruce e o símbolo que Batman representava a cidade devastada pelo crime foi importante para nós termos a consciência de que algo precisa mudar.


A necessidade de se fazer algo o mais próximo possível da realidade foi tão efetiva que o padrão “filme de super-herói” mudou drasticamente depois de Batman Begins. Um exemplo disso são as produções mais novas como Homem de Ferro e Hancock.


Porém, não ficando realmente satisfeito com excelentíssimo resultado do primeiro longa, Nolan volta com uma Gotham muito mais realista, aproximando mais a franquia a um filme policial do que a filme de um homem fantasiado.


Depois dos eventos do primeiro filme, Gotham não é mais uma cidade sitiada pelo terror. Os criminosos temiam a presença de Batman. Porém, isso trouxe algumas conseqüências drásticas. Primeiro: Fanáticos começaram a se vestir de morcego e fazer a justiça com as próprias mãos. Segundo: da mesma forma que Wayne surgiu com uma máscara, outros fantasiados viriam (observação feita pelo então tenente Gordon no final do filme anterior). Eis que somos apresentados à figura de um maquiado e diabólico palhaço: o Coringa (Heath Ledger). Depois de assaltos a cinco bancos, Gordon (Oldman), Batman (Bale) e agora o eleito promotor público de Gotham, Harvey Dent (Eckhart), unem forças para tirar o psicopata das ruas a acabar com a onda terrorista na cidade. Para se entregar, Coringa solicita que o homem-morcego mostre o seu rosto.


O filme todo traz as conseqüências da escolha de Bruce pela capa. A responsabilidade de Batman diante daquilo que ele criou faz o mesmo repensar se seria mais efetivo se esconder atrás da máscara ou mostrar quem está brigando por eles. Quando conhece Harvey Dent e suas boas iniciativas contra o crime, ele começa a pensar em aposentar seu alter-ego.


Mas, o que faz um homem se corromper? Qual o limite da loucura e da realidade? Por que seguimos as regras? Perguntas que Coringa não cansa de responder durante a projeção. Um personagem que demonstra desde o começo que não quer dinheiro, poderes. A anarquia é o que lhe interessa. A cada cena em que ele aparece, o coração do expectador dispara, “o que será que ele vai fazer agora?”.


O Roteiro escrito pelos Irmãos Nolan, acerta em não se preocupar em mostrar a origem do Palhaço. O Coringa é um ser cheio de mistérios, o que traz um clima muito mais claustrofóbico. Sua inteligência, seus planos (que o mesmo diz que não existem), sua filosofia é insana.  É incrível ver que, mesmo com toda habilidade que Bruce conseguiu nos treinamentos e a tecnologia que sua empresa lhe proporciona, o homem morcego se vê refém do maldito palhaço.


Com uma fabulosa trilha sonora de acordes fortes, Hans Zimmer nos traz um ambiente perfeito para as ações do Homem morcego. Acertando em se basear no que foi feito em Batman Begins.


Nolan também acerta em escalar um elenco de primeira. Crhistian Bale ao manto do morcego traz novamente o um Bruce solitário, absorvido pelo seu propósito. Caine e Freeman mostram um lado pensante a afetuoso. Aaron Eckhart traz uma tristeza importante nos olhos, tanto pela negação de Rachel por seu amor quanto pelos seus vazios esforços para conter o Coringa.


Coringa este que deixa o palhaço vivido por Jack Nicholson inofensivo (claro que este último funcionou muito bem no Batman de Tim Burton). Ledger não se intimida em fazer ticks nervosos e um andar torto. Com uma voz horripilante, uma gargalhada tenebrosa e um olhar arregalado, é, sem sombra de dúvidas, a caracterização mais tenebrosa vista nos últimos anos. É triste saber que um ator com as capacidades de Ledger tenha nos deixado tão cedo.


Batman – Cavaleiro das Trevas não pode ser considerado uma simples adaptação de um personagem dos quadrinhos. São tantas as discussões filosóficas em cima dele que é um absurdo alguém rebaixa-lo a “mais um filme pipoca”. Mas, assim é a academia, então não espere prêmios, por mais que mereça.


 


 

Uma crítica: Hancock

 

Classificação:

 

 

As adaptações modernas de filmes de super-heróis tendem a sempre confrontar a vida particular dos protagonistas com seu ater-ego. Em Homem-Aranha 1 e 2, Sam Reimi coloca Peter Parker em diversas situações cotidianas que torna difícil a convivência como aranha. No Brilhante Batman Begins, de Christofer Nolan, é a vez de nos depararmos com o cérebro psicopata de Bruce Wayne e a forma com que ele faz para ser um fútil playboy e, ao mesmo tempo, o todo poderoso protetor da cidade.

 

Neste sentido, Hancock é extremamente válido. Contando a história de um super-herói bêbado e odiado pela população, o homem-águia (se é que podemos dizer isso) é uma pessoa de boas intenções, mas que não mede as conseqüências de suas ações. Depois que salva a vida do relações públicas Ray Embrey, o mesmo lhe propõe uma mudança em suas atitudes e começa a fazer um trabalho de integração com o ser superpoderoso e as população. Para isso, Hancock teria que passar 2 semanas na cadeia até que a onda de criminalidade crescesse suficientemente para que as pessoas começassem a sentir sua falta.

 

O roteiro escrito por Vincent Ngo e Vince Gilligan traz um ótimo argumento, mas um desenvolvimento terrível. Eis que, sem vilões que realmente pudessem trazer alguma preocupação ao herói, ele faz com que a esposa de seu novo amigo tivesse a sua mesma origem e num passado distante fossem casados. Alem de absurdo, o script não diz de onde vieram, como se conheceram e porque estão ali. Ao invés, a preferência foi de trazer um melodrama ridículo e que não tem função alguma na história. Além disso, ele caiu em sua própria regra já que para não perderem os poderes os dois teriam que estar separados, por que isso nunca aconteceu antes já que os dois sempre moravam no mesmo local?

 

Ngo e Gillingan ainda tratam de criar personagens estereotipados (o vilão que colocou um “gancho maligno” depois de ter a mão amputada) e de trazer ligações preconceituosas (ladrões chineses???).

 

Com uma direção apenas correta, Peter Berg não abusa de sua câmera, apenas filma o que está escrito. Mesmo assim, acerta nas horas em que Hancock voa desajeitadamente e faz aterrisagens absurdas. As cenas filmadas para YouTube (olha o merchã)  foi uma solução ótima para demonstrar o grande problema que Hancock (ou a população) enfrentava, poupando assim chatíssimos flash-backs (outro erro dos roteiristas, que deviam saber que isso é uma técnica ultrapassada).

 

As boas interpretações de Charlize Theron, como uma mulher decidida e personalidade forte, e de Jason Bateman como o bem intencionado e mal sucedido relações públicas trazem um química interessante com o protagonista, o grande destaque do filme. Will Smith se entrega a seu personagem, trazendo um vagabundo super-herói que vive entre o bem e a falta de escrupulia. É interessante ver o olhar torto, a falta de brilho nos olhos de Hancock. Nada de vida naquele ser.

 

A trilha sonora clichê nos leva apenas a uma grande quantidade de barulho. A incapacidade de se criar um tema para o super-herói foi tamanha que foi preciso se basear em outras referencias conhecidas (em certos momentos ouvimos algo parecido com os primeiros acordes do tema de Superman, de John Willians).

 

Hancock infelizmente não é um filme que levaremos para o resto de nossas vidas. No meio de uma era com Batman, Homem de Ferro, Hulk e Homem-Aranha, é difícil que o super-anti-herói-afro-americano seja uma referência relevante. Ao menos que peguem esse argumento e daqui uns 10 anos façam um “Hancock Begins”, ai talvez....

 

 

Uma crítica : Wall-E

Classificação:

Procurando Nemo, Os incríveis, Carros, Ratatouille, o que há em comum entre esses filmes? A resposta é simples, NADA. A fórmula inovadora dessas produções nasce da mente criativa de pessoas centradas em um ideal: Impressionar.

 

Depois do Estrondoroso Sucesso de crítica (infelizmente o público não respondeu da mesma forma) do ratinho Remy em 2007, a Pixar traz as telas o simpático robô (uma mistura de ET com Johnny nº5) Wall-E.

 

700 anos depois que os humanos deixam a terra, somos apresentados a ele. Único exemplar em funcionamento, a “vida” de Wall-E resume-se a limpar a sujeira que os homens espalharam pela terra e colecionar aquilo que ele chama a atenção. Certo dia o robozinho se vê na presença extraordinária de uma nave espacial q acabara de pousar para enviar robôs a fim de caçar alguma vida orgânica naquele planeta devastado. Surge então a Robôzinha EVA (de aparência nitidamente neutra e ao mesmo tempo expressiva). Wall-E vendo-a agir acaba conhecendo os significados da vida solitária que vivia e da beleza daquele momento com o novo ser. Depois que a robozinha detecta uma muda de planta com W, a nave volta e leva os dois a uma viagem pelo novo (grotesco e desprezível) mundo humano, a nave Axion.

 

Sempre prevalecendo uma fotografia sepiada no primeiro ato, o diretor Andrew Stanton aposta no peso dos visuais da terra. Suja, destruída, abandonada, solitária. É muito interessante o contraste utilizado quando Wall encontra a plantinha. Um verde amável, delicado. Destaque que foi fundamental para o significado daquele momento.

 

Batendo bola com a situação, temos o solitário robozinho. Um visual enferrujado e triste circula pela terra entre destroços de seus próprios colegas (uma cena forte), limpando e organizando os grandes montes de lixo deixados por séculos. Curioso e atrapalhado, ele para suas funções quando encontra uma peça que o chama atenção: um cubo mágico ou a caixa de um anel de diamantes (o anel não lhe interessou), por exemplo. Formidavelmente expressivo, não há um momento em que olhamos para o pequeno robô e não sentimos pena, mesmo nas horas engraçadas. A adoração por EVA e a forma como ele a corteja, são extremamente engraçadas e emocionantes. Para isso, o diretor não exitou em utilizar ótimas gags e diversos olhares.

 

A quase-ausência de diálogos (retirando os grunhidos feitos pelos robôs) dá mais força ao carisma empregado nas feições dos robôs. Em belíssimas seqüências (como a da dança de Wall e EVA no espaço), deixamos os barulhos emitidos, quase ilegíveis, contarem a história.

 

Saindo do primeiro ato, somos apresentados à belíssima nave mãe dos humanos. Local projetado para total conforto e segurança. Novamente a verdade invade nossos olhos com humanos obesos e sedentários, dependentes de toda tecnologia empregada. Toda facilidade que as pessoas possuíam acabaram trazendo um estilo de vida fútil, formando pessoas que não conseguem notar um palmo a sua frente (em certos momentos, vemos dois personagens dizerem “Nossa, eu não sabia que aqui tinha piscina”).

 

Com uma trilha que emprega nostálgicos clássicos do cinema, o clima é perfeito para o romance (no caso do musical gravado por Wall-E) e também para o significado da nova era que aguarda os humanos (é interessante e cena em que o capitão se levanta da cadeira junto com a famosa música de 2001 – Uma Odisséia no Espaço).

 

Assim como em 2007, eu arrisco dizer que o Oscar de animação no ano que vem já tem dono. Digo ainda que a Pixar fez com Wall-E seu feito maior. É, com certeza, a produção mais brilhante e mais significativa que o estúdio da lamparina já efetuou. Ousadia, ternura e um choque de idéias, resultados e visões.

 

Uma crítica: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Classificação:

 

Os anos 80 foram invadidos por heróis e personagens que trouxeram uma cultura à tona. A década é conhecida pela sua identidade fílmica comercial. Grandes produções como De Volta Para o Futuro, Rocky, Superman, Rambo, Karate Kid, expressam essa exata dominação de mercado.

 

Anos mais tarde, algumas dessas produções ganharam continuações ou foram totalmente repaginadas (no caso do Homem de Aço, aconteceram as duas coisas ao mesmo tempo). É claro que mais cedo ou mais tarde, o universo diegético do arqueólogo mais famoso do mundo iria conhecer a era digital. E a parceria Spielberg/Lucas/Ford foi novamente brilhante.

 

Capturado pelos soviéticos e levados até uma base militar norte-americana (a famosa área 51) Indiana é obrigado a procurar entre as caixas de um galpão um grande túmulo de chumbo com o corpo de um ser misterioso. Depois de achar o sarcófago e fugir do local de maneira brilhante (tipicamente Indiana), o arqueólogo volta à faculdade e é afastado do cargo pela reitoria por suspeita de favorecimento aos comunistas. Partindo para seu exílio o velho é procurado pelo o rebelde Mutt Willians (Shia LaBeolf) que o informa sobre o rapto de seu velho amigo o Professor Oxley (John Hurt) e de sua mãe Marion (Karen Allen) que foram em busca do perdido reino dourado, escondido e protegido no amazonas por ídolos de cabeças ovais. Lá o arqueólogo encontra a extraordinária caveira de cristal, que possui a chave para a sabedoria suprema. Jones e seus companheiros precisam levar a caveira até seu destino final, sem deixar que os russos, liderados por Irina Spalko (Cate Blanchett), a interceptem.

 

O filme começa com uma grande cena de ação. Harrison e sua idade avançada são testados de maneira que não deixa nada a dever as cenas dos filmes anteriores. O roteiro argumentado por George Lucas e desenvolvido por David Koep, é recheado de cenas fantásticas, sem deixar o desenvolvimento da historia ser prejudicado por isso, o que torna a narrativa sempre fluente e excitante. Os diálogos muito bem formatados e a irreverência do protagonista também foram muito bem utilizados.

 

O mestre Spielberg (que há muito não faz algo realmente bom) parece se divertir com o brinquedo que tinha em mãos. Mesmo com uma modesta direção, ele abusa sabiamente de sua fantástica produção artistica, que fez uma cidade fantasmagoricamente maravilhosa, múmias realistas e esqueletos alienígenas muito bem desenvolvidos. Uma ótima montagem de cortes rápidos, mas bem definidos completa a racional escolha do diretor.

 

As atuações oscilam entre o bom e o ruim. John Hurt faz um hipnotizado cientista durante todo o filme, desperdiçando seu talento. Shia começou irritante, porém conseguiu se adentrar ao estilo do arqueólogo. Allen traz a sua Marion sempre energética, pronta pra explodir e ao mesmo tempo com um olhar gracioso. Cate Blanchet em um papel irreconhecível e difícil faz grandes cenas de ação e sempre mostra um rosto estremecedor. Ford se diverte como nunca, fazendo um Indy velho na aparência, mas com uma alma renovada.

 

Fechando toda loucura, a trilha sonora de John Willians é tão maravilhosa quanto as passadas, não deixando o filme cair de pique nunca. A trilha abusa dos metais característicos unindo a ação e a beleza dos cenários de forma dinâmica e enlouquecedora.

 

Mesmo com algumas pérolas como a “geladeira que ficou intacta com o Dr. Jones dentro depois da explosão de uma bomba atômica” e o “Shia-Tarzan”, o filme é tão excelente quanto os outros, trazendo uma historia absurda e divertida e muitas armadilhas emocionantes.

 

Eu ficaria muito feliz com um quinto capítulo, pode ter certeza.

Um comentário: I'm back....

 

Prezados amigos, depois de uma jornada de estudos exaustiva, estou de volta com os posts no blog. Agora sim, definitivamente, tentarei ser mais presente. Amanhã tem Indiana Jones e na semana seguinte tem Crônicas de Nárnia. Segue abaixo uma pequena canja dos 2 outros blockbusters que assisti:


 

Homem de Ferro: Diferente de porcarias como Transformers ou Quarteto Fantástico, esse traz um herói mais humano e situações mais realistas (se é que podemos dizer assim de um homem com um traje voador). Downey Jr foi brilhante e carismático e o diretor John Favreau me impressionou bastante. Bela escolha da Marvel.

Classificação:

 

 

Speed Racer: Alguns problemas de montagem, alguns de roteiro, Emile Hirsch estava frio... Mesmo com esses arranhões na lataria, ainda é um filme recomendável. A direção dos irmão Wachoviski, o visual fantástico concebido e as corridas altamente velozes são absurdamente fantásticas.

Classificação:

Um comentário: Filmes que assisti esses dias

A correria na faculdade e outras obrigações acabaram deixando o blog sem atualizações. Hoje irei comentar alguns filmes que assisti no cinema e que infelizmente não tive condições de aprofundar uma crítica.


 

 

Onde os Fracos Não Tem Vez: Absolutamente fantástico. O vencedor do Oscar de melhor filme é uma história forte, de objetivo claro e que destroi paradigmas. A interpretação de Javier Bardem é sensacional.

 

 Classificação:

 

 

 

 
 

 

 

Juno: Vencedor do Oscar de melhor roteiro original (superando o equivalente Ratatouille) é uma história leve, divertida, inteligente e extremamente eficaz.

 

 Classificação:

 

 

 
 

 

 

 

Vestida Para Casar: Possui todos os clichês da categoria "filme de romance egraçadinho", incluindo o "casal que se odeia, mas na verdade se ama". Tirando a protagonista (que trabalha razoavelmente bem), o resto do elenco não deveria existir.

 

Classificação:

 

 

 
 

 

 

O Olho do Mal: A onda de adaptações de filmes orientais parece não acabar. Como em quase todos os casos, essa versão com a péssima Jessica Alba (definitivamente, ela não faz uma cega nesse filme), nos traz a sustos ridículos impulsionados a acordes fortes na trilha sonora e a situações extremamente previsíveis (a menininha com câncer, claro que ela ia morrer...)

 

Classificação:

 

 

 

Tentarei ser mais presente no blog. FIquem tranquilos....

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