Uma crítica : Wall-E

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Procurando Nemo, Os incríveis, Carros, Ratatouille, o que há em comum entre esses filmes? A resposta é simples, NADA. A fórmula inovadora dessas produções nasce da mente criativa de pessoas centradas em um ideal: Impressionar.

 

Depois do Estrondoroso Sucesso de crítica (infelizmente o público não respondeu da mesma forma) do ratinho Remy em 2007, a Pixar traz as telas o simpático robô (uma mistura de ET com Johnny nº5) Wall-E.

 

700 anos depois que os humanos deixam a terra, somos apresentados a ele. Único exemplar em funcionamento, a “vida” de Wall-E resume-se a limpar a sujeira que os homens espalharam pela terra e colecionar aquilo que ele chama a atenção. Certo dia o robozinho se vê na presença extraordinária de uma nave espacial q acabara de pousar para enviar robôs a fim de caçar alguma vida orgânica naquele planeta devastado. Surge então a Robôzinha EVA (de aparência nitidamente neutra e ao mesmo tempo expressiva). Wall-E vendo-a agir acaba conhecendo os significados da vida solitária que vivia e da beleza daquele momento com o novo ser. Depois que a robozinha detecta uma muda de planta com W, a nave volta e leva os dois a uma viagem pelo novo (grotesco e desprezível) mundo humano, a nave Axion.

 

Sempre prevalecendo uma fotografia sepiada no primeiro ato, o diretor Andrew Stanton aposta no peso dos visuais da terra. Suja, destruída, abandonada, solitária. É muito interessante o contraste utilizado quando Wall encontra a plantinha. Um verde amável, delicado. Destaque que foi fundamental para o significado daquele momento.

 

Batendo bola com a situação, temos o solitário robozinho. Um visual enferrujado e triste circula pela terra entre destroços de seus próprios colegas (uma cena forte), limpando e organizando os grandes montes de lixo deixados por séculos. Curioso e atrapalhado, ele para suas funções quando encontra uma peça que o chama atenção: um cubo mágico ou a caixa de um anel de diamantes (o anel não lhe interessou), por exemplo. Formidavelmente expressivo, não há um momento em que olhamos para o pequeno robô e não sentimos pena, mesmo nas horas engraçadas. A adoração por EVA e a forma como ele a corteja, são extremamente engraçadas e emocionantes. Para isso, o diretor não exitou em utilizar ótimas gags e diversos olhares.

 

A quase-ausência de diálogos (retirando os grunhidos feitos pelos robôs) dá mais força ao carisma empregado nas feições dos robôs. Em belíssimas seqüências (como a da dança de Wall e EVA no espaço), deixamos os barulhos emitidos, quase ilegíveis, contarem a história.

 

Saindo do primeiro ato, somos apresentados à belíssima nave mãe dos humanos. Local projetado para total conforto e segurança. Novamente a verdade invade nossos olhos com humanos obesos e sedentários, dependentes de toda tecnologia empregada. Toda facilidade que as pessoas possuíam acabaram trazendo um estilo de vida fútil, formando pessoas que não conseguem notar um palmo a sua frente (em certos momentos, vemos dois personagens dizerem “Nossa, eu não sabia que aqui tinha piscina”).

 

Com uma trilha que emprega nostálgicos clássicos do cinema, o clima é perfeito para o romance (no caso do musical gravado por Wall-E) e também para o significado da nova era que aguarda os humanos (é interessante e cena em que o capitão se levanta da cadeira junto com a famosa música de 2001 – Uma Odisséia no Espaço).

 

Assim como em 2007, eu arrisco dizer que o Oscar de animação no ano que vem já tem dono. Digo ainda que a Pixar fez com Wall-E seu feito maior. É, com certeza, a produção mais brilhante e mais significativa que o estúdio da lamparina já efetuou. Ousadia, ternura e um choque de idéias, resultados e visões.

 

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