
As adaptações modernas de filmes de super-heróis tendem a sempre confrontar a vida particular dos protagonistas com seu ater-ego. Em Homem-Aranha 1 e 2, Sam Reimi coloca Peter Parker em diversas situações cotidianas que torna difícil a convivência como aranha. No Brilhante Batman Begins, de Christofer Nolan, é a vez de nos depararmos com o cérebro psicopata de Bruce Wayne e a forma com que ele faz para ser um fútil playboy e, ao mesmo tempo, o todo poderoso protetor da cidade.
Neste sentido, Hancock é extremamente válido. Contando a história de um super-herói bêbado e odiado pela população, o homem-águia (se é que podemos dizer isso) é uma pessoa de boas intenções, mas que não mede as conseqüências de suas ações. Depois que salva a vida do relações públicas Ray Embrey, o mesmo lhe propõe uma mudança em suas atitudes e começa a fazer um trabalho de integração com o ser superpoderoso e as população. Para isso, Hancock teria que passar 2 semanas na cadeia até que a onda de criminalidade crescesse suficientemente para que as pessoas começassem a sentir sua falta.
O roteiro escrito por Vincent Ngo e Vince Gilligan traz um ótimo argumento, mas um desenvolvimento terrível. Eis que, sem vilões que realmente pudessem trazer alguma preocupação ao herói, ele faz com que a esposa de seu novo amigo tivesse a sua mesma origem e num passado distante fossem casados. Alem de absurdo, o script não diz de onde vieram, como se conheceram e porque estão ali. Ao invés, a preferência foi de trazer um melodrama ridículo e que não tem função alguma na história. Além disso, ele caiu em sua própria regra já que para não perderem os poderes os dois teriam que estar separados, por que isso nunca aconteceu antes já que os dois sempre moravam no mesmo local?
Ngo e Gillingan ainda tratam de criar personagens estereotipados (o vilão que colocou um “gancho maligno” depois de ter a mão amputada) e de trazer ligações preconceituosas (ladrões chineses???).
Com uma direção apenas correta, Peter Berg não abusa de sua câmera, apenas filma o que está escrito. Mesmo assim, acerta nas horas
As boas interpretações de Charlize Theron, como uma mulher decidida e personalidade forte, e de Jason Bateman como o bem intencionado e mal sucedido relações públicas trazem um química interessante com o protagonista, o grande destaque do filme. Will Smith se entrega a seu personagem, trazendo um vagabundo super-herói que vive entre o bem e a falta de escrupulia. É interessante ver o olhar torto, a falta de brilho nos olhos de Hancock. Nada de vida naquele ser.
A trilha sonora clichê nos leva apenas a uma grande quantidade de barulho. A incapacidade de se criar um tema para o super-herói foi tamanha que foi preciso se basear em outras referencias conhecidas (em certos momentos ouvimos algo parecido com os primeiros acordes do tema de Superman, de John Willians).
Hancock infelizmente não é um filme que levaremos para o resto de nossas vidas. No meio de uma era com Batman, Homem de Ferro, Hulk e Homem-Aranha, é difícil que o super-anti-herói-afro-americano seja uma referência relevante. Ao menos que peguem esse argumento e daqui uns 10 anos façam um “Hancock Begins”, ai talvez....
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