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A necessidade de se fazer algo o mais próximo possível da realidade foi tão efetiva que o padrão “filme de super-herói” mudou drasticamente depois de Batman Begins. Um exemplo disso são as produções mais novas como Homem de Ferro e Hancock.
Porém, não ficando realmente satisfeito com excelentíssimo resultado do primeiro longa, Nolan volta com uma Gotham muito mais realista, aproximando mais a franquia a um filme policial do que a filme de um homem fantasiado.
Depois dos eventos do primeiro filme, Gotham não é mais uma cidade sitiada pelo terror. Os criminosos temiam a presença de Batman. Porém, isso trouxe algumas conseqüências drásticas. Primeiro: Fanáticos começaram a se vestir de morcego e fazer a justiça com as próprias mãos. Segundo: da mesma forma que Wayne surgiu com uma máscara, outros fantasiados viriam (observação feita pelo então tenente Gordon no final do filme anterior). Eis que somos apresentados à figura de um maquiado e diabólico palhaço: o Coringa (Heath Ledger). Depois de assaltos a cinco bancos, Gordon (Oldman), Batman (Bale) e agora o eleito promotor público de Gotham, Harvey Dent (Eckhart), unem forças para tirar o psicopata das ruas a acabar com a onda terrorista na cidade. Para se entregar, Coringa solicita que o homem-morcego mostre o seu rosto.
O filme todo traz as conseqüências da escolha de Bruce pela capa. A responsabilidade de Batman diante daquilo que ele criou faz o mesmo repensar se seria mais efetivo se esconder atrás da máscara ou mostrar quem está brigando por eles. Quando conhece Harvey Dent e suas boas iniciativas contra o crime, ele começa a pensar em aposentar seu alter-ego.
Mas, o que faz um homem se corromper? Qual o limite da loucura e da realidade? Por que seguimos as regras? Perguntas que Coringa não cansa de responder durante a projeção. Um personagem que demonstra desde o começo que não quer dinheiro, poderes. A anarquia é o que lhe interessa. A cada cena em que ele aparece, o coração do expectador dispara, “o que será que ele vai fazer agora?”.
O Roteiro escrito pelos Irmãos Nolan, acerta em não se preocupar em mostrar a origem do Palhaço. O Coringa é um ser cheio de mistérios, o que traz um clima muito mais claustrofóbico. Sua inteligência, seus planos (que o mesmo diz que não existem), sua filosofia é insana. É incrível ver que, mesmo com toda habilidade que Bruce conseguiu nos treinamentos e a tecnologia que sua empresa lhe proporciona, o homem morcego se vê refém do maldito palhaço.
Com uma fabulosa trilha sonora de acordes fortes, Hans Zimmer nos traz um ambiente perfeito para as ações do Homem morcego. Acertando em se basear no que foi feito
Nolan também acerta em escalar um elenco de primeira. Crhistian Bale ao manto do morcego traz novamente o um Bruce solitário, absorvido pelo seu propósito. Caine e Freeman mostram um lado pensante a afetuoso. Aaron Eckhart traz uma tristeza importante nos olhos, tanto pela negação de Rachel por seu amor quanto pelos seus vazios esforços para conter o Coringa.
Coringa este que deixa o palhaço vivido por Jack Nicholson inofensivo (claro que este último funcionou muito bem no Batman de Tim Burton). Ledger não se intimida em fazer ticks nervosos e um andar torto. Com uma voz horripilante, uma gargalhada tenebrosa e um olhar arregalado, é, sem sombra de dúvidas, a caracterização mais tenebrosa vista nos últimos anos. É triste saber que um ator com as capacidades de Ledger tenha nos deixado tão cedo.
Batman – Cavaleiro das Trevas não pode ser considerado uma simples adaptação de um personagem dos quadrinhos. São tantas as discussões filosóficas em cima dele que é um absurdo alguém rebaixa-lo a “mais um filme pipoca”. Mas, assim é a academia, então não espere prêmios, por mais que mereça.
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