Uma Crítica : Kung-fu Panda

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A Dreamworks, estúdio de Shrek e Madagascar, vinha ganhando muita qualidade em suas produções. O ogro verde chegou a arrancar um Oscar das mãos da Pixar e ganhou até uma franquia própria. Mas parece que as idéias estão se esgotando. As histórias já não são inovadoras, os personagens estão estereotipados, influiu até na trilha sonora.

 

É uma pena que, Kung-fu Panda, mesmo com os esforços para sair do dilema da DW, não é realmente efetivo. Com menos referências a outros filmes (algumas a Matrix, o que já soa bem cansativo depois milhões de produções que a fazem), a premissa cai em outra moda da Mídia infantil, o Kung-fu (só pra ter uma idéia, temos na TV, Jake Long, Yin Yang Yo, Jackie Chan, gambá Kung-Fu, Pucca... Isso tudo só esse ano).


Pô é um urso Panda que trabalha com seu pai em um restaurante fazendo macarrão. Vive sonhando em ser um grande lutador ao lado dos cinco grandes guerreiros da aldeia. Depois que o terrível Tai Lung foge da prisão, o mestre tartaruga Oogway escolhe o Panda como o grande dragão guerreiro e a partir daí, o mestre shifu precisa treiná-lo para ser um mestre kung-fu antes que o poderoso inimigo chegue para confrontá-lo.


Simples e bobinha. Essa é a premissa de Kung-fu Panda. E parece que o desenvolvimento do filme segue a mesma regra. Criando poucos momentos realmente eletrizantes, o filme se torna apenas uma grande piada sobre pandas gordinhos. Engraçado, mas nada que nos faça morrer de rir.


O filme Começa com uma ótima entrada em 2D, onde vemos uma belíssima paleta de cores fortes. Logo quando somos apresentados a realidade do filme, vemos personagens muito bem executados e cartunescos, como deveriam ser. Destaque especial para o visual dos cinco guerreiros, que beiram o realismo em alguns traços.


A direção de arte é fabulosa, o grande palácio onde se encontra o pergaminho do dragão é muito bem executado, as cores frias se contrastam com o céu amarelado e o vermelho predominante dos enfeites externos. À noite, vemos um belo pessegueiro com flores de cores vivas, mostrando os raios de esperança e purificação em que a cenas naquele local se baseiam.


Porém, mesmo com essa belíssima cenografia, o filme cai em não ter uma história que envolva essa cultura de maneira eficiente. O treinamento de Pô (que deveria ser um ponto de foco da narrativa) é mostrado em apenas 10 minutos de projeção, deixando o espectador em dúvida se realmente o Panda está pronto para a batalha. Para consertar o mal entendido, os roteiristas colocam o velho clichê “acredite em você”, que rapidamente faz o panda se tornar o mais bravo guerreiro da aldeia.


Trazendo uma trilha sonora obvia, mas eficaz, enchendo de temas orientais e acordes engraçadinhos, é justo que esta também não seja um destaque no longa. Porém a versão de Jack Black para a música “Kung-Fu fighting” contrastou muito bem com o ambiente do filme.


Em um ano que fomos apresentados a obra prima da concorrente Pixar, é triste ver uma resposta tão fraca da Dreamworks. Wall-E demonstra, assim como Ratatouille no ano passado, que não terá concorrentes no Oscar. Ao menos que Pô faça o poder do dedo mindinho no robozinho, o que não vai acontecer...


Obs: Lucio Mauro Filho é um veterano nessa parte de dublagem, fez várias campanhas e acabou executando um bom trabalho com o protagonista, apesar do timbre não combinar em nada com o Urso. Juliana Paes, bom, até agora não sei a razão de escolherem ela, mas enfim...

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