Uma Crítica: O Curioso Caso de Benjamin Button

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Uma senhora defenestra suas memórias em relação a um amor do passado, com quem viveu um tórrido e passageiro romance que culmina na separação inevitável.

 

Não. A mulher não se chama Rose e não estamos a bordo de um navio que se choca com um Iceberg. Estamos falando do novíssimo queridinho da academia “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

 

Curioso mesmo é saber o porquê de tantas referências ao grandioso Titanic de James Cameron. Apesar de um argumento ótimo, o roteirista Eric Roth não consegue sustentar sua história sem colocar em algum momento da narrativa algo que nos leve para a produção de 1995.

 

Nascido no dia em que é assinado o fim da primeira guerra mundial, Benjamin (Pitt) é uma criança fadada a ser um monstro. O menino nasce com a aparência e sintomas de um velho em estado terminal de vida. Levado pelo pai para ser criado por uma jovem em um asilo de velhinhos, ele cresce como se fosse um deles, mesmo com a mente de uma criança de sete anos. Essa idade é quando ele conhece a jovem Daisy (Blanchet) com quem descobre o amor e a incapacidade de ter um relacionamento nas suas condições. Com o tempo, Benjamin rejuvenesce e a moça se torna uma bela mulher, até que, em idades aparentemente compatíveis, os dois se entregam a paixão.

 

Essa pequena sinopse infelizmente esconde falhas difíceis do roteiro. Aliás, arrisco dizer que Cate Blanchet não é ruiva por acaso, existe uma ligação forte com a Rose vivida por Kate Winslet (até as atrizes se chamam Kate...). Tanto na personalidade de mulher decidida quanto na forma com que se relaciona com seu par.

 

O roteirista ainda coloca uma pérola imperdoável quando a filha de Daisy se impressiona com as fotos da mãe dançarina dizendo que não sabia dessa parte da vida de sua mãe, sendo que no fim do segundo ato a versão jovem da menina se encontra com a mãe em sua própria escola de dança.

 

O diretor David Fincher, por sua vez, não foi tão mal. Fora do ambiente em que alcançou o status de grande diretor com seus inteligentes filmes Se7en, Clube da Luta e Zodíaco, faz um bom trabalho levando o precário roteiro ao status de bom filme. Mas acho que o mesmo também viu as intenções em plagiar o filme de Cameron e acabou levando três pequenas cenas que nos remetem a ele: Quando mostra um grande navio na diagonal muito parecido com o próprio Titanic, quando faz um pequeno plano debaixo d’água com alguns corpos flutuando e quando mostra uma sala sendo invadida pela água. A narração intercalada da filha de Daisy com a de Benjamin também foi uma ótima idéia, mas que se repetiu demais.

 

Cate e Pitt possuem uma ótima química, transformando seus difíceis personagens em pessoas extremamente próximas a realidade. Dando vozes e olhares diferentes a cada fase da vida.

 

Os efeitos são bem eficazes e deram uma beleza o filme que dificilmente encontraríamos numa maquiagem tradicional. Ver Pitt como um velho de pernas atrofiadas, cabelos grisalhos e manchas de velhice pela cabeça é uma das grandes sacadas da película. atrofiadas, cabelos grisaklhos e manchas de velhice pela cabeça  ele tambem.lube da Luta e Zod

 

A belíssima fotografia amarelada é outro fator que nos leva ao navio gigante. Mas neste caso funcionou maravilhosamente, realçando rugas e deixando a fantástica maquiagem à tona mostrando e pontuando cada fase da vida dos dois personagens para o espectador.

 

Benjamin Button está longe de ser um filme de ponta e longe de merecer tirar a vaga do Oscar de filmes como Batman e Wall-E. A política venceu novamente na academia, então é bem provável que ele leve umas estatuetas.

 

 

 

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