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Há algum tempo, o diretor Francis Ford Coppola deu algumas declarações questionando a finalidade de se produzir continuações de filmes, já que o elenco, o universo e a estória em si são mostrados no primeiro título sem que haja a necessidade de se trazer isso à tona novamente. Até por causa do seu “O Poderoso Chefão”, não consigo concordar. As trilogias são SIM muito importantes para mostrar um personagem em situações locais e comportamentos diferentes ou simplesmente revisitá-los. Talvez uma forma de eternizá-los em seu mundo e/ou dimensionar a história em tamanhos épicos (Piratas do Caribe, por exemplo). Porém, assistindo o grotesco Transformers – A vingança dos Derrotados, consigo compreender bem o argumento de Coppola, já que um filme onde colocamos certos personagens em situações completamente iguais apenas mudando e/ou criando razões absurdas para se ter um conflito não tem a menor necessidade de existir. Depois dos eventos do primeiro filme, Autobots e o Exercito Americano (!) se unem para acabar com qualquer foco de ataque de Decepticons no planeta, formando a divisão chamada NEST. Paralelo a isso, o jovem Sam (Shia LaBeouf) se prepara para ir à universidade quando descobre que um pedaço do cubo ficou preso em sua roupa (!), trazendo para o cérebro do menino as milenares informações e símbolos estranhos que apareceram durante várias eras pelo planeta. Por causa disso, o menino começa a ser perseguido novamente pelos Decepticons, que ressuscitam o terrível (eu disse, terrível??) Megatron. O robô alienígena agora aceita ordens de um senhor maior, chamado Fallen, que tem o objetivo de ativar uma máquina que, olha só isso, extingue o sol e absorve sua energia (!). E mais, o equipamento está dentro de uma das pirâmides de Gizé. Trazendo um pouco menos de humor que o primeiro e colocando no lugar explosões e mais explosões (alias, acho que o filme se resume a bummmmmmmmmmmmmmmmm), Michael Bay mostra novamente que não é capaz de prender seu público pela história que conta, mas sim pela quantidade de cores, “coisinhas” se mexendo magicamente na tela, e estrondos de todos os tipos. Sua direção é precária, pois não consegue estabelecer em momento algum da trama uma verdadeira identificação com os personagens ou com qualquer outro elemento robótico (em certo momento, Sam dispensa a proteção de Bumblebee, apenas para vermos o robô chorar. Isso mesmo, robô chorar!!!) Com um roteiro precário que nos mostra diversos pontos da trama de forma explícita (Em certa altura, Fallen solta o velho clichê do Vilão que entrega o plano pro mocinho quando este está em situação polêmica), os roteiristas Roberto Orci e Ehren Kruger não conseguem nem ao menos montar um argumento convincente para a existência de transformers na terra desde o começo dos tempos, já que ignora todos os princípios colocados no primeiro filme. Peca também em colocar novamente gag’s desnecessárias como a “mãe que anuncia que o filho não é mais virgem”, “a mulher da língua” e o pequeno robozinho que “transa” com a perna de Mikaela. Para dar mais graça, criam alguns personagens novos de carne e osso (o colega de quarto covarde e nerd de Sam) e de ferro (os robôs-irmãos que brigam mas se amam). Repetindo a boa atuação do primeiro filme, Shia consegue expor um Sam mais maduro, ciente das responsabilidades que tem. Em contrapartida, Megan Fox surge novamente inexpressiva, utilizando abundantemente da sensualidade e da boca semi aberta, praticamente insunuando um sexo oral com o espectador, o que a torna completamente desequilibrada em relação ao seu parceiro de cena. A trilha sonora é praticamente nula, abafada pela alta quantidade de explosões, também características do primeiro filme. Felizmente, Bay consegue consertar um grande problema que teve no primeiro filme. Com os efeitos especiais formidáveis, agora é possível ver realmente uma briga de robôs (no primeiro filme, víamos apenas flashes de quem estava brigando com quem), criando monstros realistas e explosões visualmente perfeitas. Mas, como um filme não se sustenta (e nem deve) apenas com sua equipe de efeitos especiais, digamos que transformers é como uma bela mulher desconhecida que passa na sua frente: você admira, mas depois de 5 minutos a esquece.... Foi mais ou menos assim que me senti depois de sair do cinema... Obs: Michael Bay continua com seu marketing pessoal, introduzindo agora um pôster de Bad Boys 2 em um das cenas. Lastimável.
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