Uma Crítica: Cidade dos Homens
Classificação: 
Sábado, 1 de Setembro de 2007

Confesso que os amigos Laranjinha e Acerola nunca me chamaram a atenção na TV. Motivos? Não sei. Talvez o fato de ser uma série global, utilizar uma fórmula já conhecida em Cidade de Deus (até o nome é uma referência). O fato é que a dupla não conseguiu na telinha a mesma química que tivemos com a história de Buscapé e sua câmera fotográfica. Enfim, depois de várias temporadas medianas da série, Cidade dos Homens precisava de um fechamento de bom gosto. E olha, me surpreendi do começo ao fim dessa projeção.
A ultima aventura nos leva novamente ao Morro da Sinuca onde moram os protagonistas. Ás vésperas de completarem 18 anos, Laranjinha (Darlan Cunha) busca a verdade sobre seu desconhecido pai e Acerola (Douglas Silva) tenta conciliar as responsabilidades com seu filho e as diversões da sua juventude. Mas a paz é sempre relativa na favela, e eles se vêem no meio de uma luta pelo poder do morro. Nefasto (Eduardo BR), ex-companheiro de Madrugadão (Johnatan Haagensen), se corrompe e tenta tomar o tráfico da região, iniciando uma guerra contra o seu antigo mandante. Nessa situação caótica, os dois amigos são forçados a rever os valores de suas amizades e os objetivos que teriam que traçar dali por diante.
Escrito por Elena Soárez, o roteiro é excelente, trazendo uma narrativa muito bem desenvolvida, onde tudo se encaixa com uma perfeição fantástica. Desde o começo quando Acerola começa a questionar seu senso paterno, até a hora em que o mesmo se vê como participande da guerra, ou então os fortes diálogos iniciais de Laranjinha com seu pai até o singelo futebol solitário entre pai e filho. Tudo é muito bem planejado, os diálogos são primorosos e naturais, somando-se a espontaneidade dos atores o resultado é uma história muito bem contada.
O diretor Paulo Moreli mostra que tem extremo domínio e conhecimento sobre a 7ª arte. Logo nos créditos iniciais, somos apresentados aos principais desde que eram crianças, sem precisar que o espectador tenha assistido a série para entender o vínculo daquela amizade. Os planos muito bem desenvolvidos sempre nos dão a sensação de que a situação não está totalmente sobre controle. A fotografia carregada no granulado amarelo trás um aspecto envelhecido, o que torna aquela realidade triste e perigosa muito mais evidente. Alem de acertar nesses aspectos técnicos, Paulo ainda nos mostra o horror da guerra dos traficantes sem precisar filmar a violência. Quase não se vê sangue. Mesmo assim, apenas com os efeitos de câmera e sonorização, a realidade daquele combate é muito evidente.
A trilha tem o peso necessário aos acontecimentos. Não só os acordes fortes que envolvem a realidade do morro como as sutis passagens de cenas (improvisaram de forma magnífica a voz de Heveraldo cantando no chuveiro enquanto filmaram Laranjinha deitado no sofá e acerola sentado na escadaria sem ter pra onde ir).
Cidade dos Homens é um filme que, mesmo com o já conhecido ambiente fílmico da favela, deve ser visto e revisto, pois sua história é singela e emocionante mesmo no meio de uma violência inescrupulosa que existe no morro carioca. Esqueça a série!!! Vá já para o cinema.
Escrito por Adriano (O Editor) às 07h36











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